domingo, 21 de abril de 2013

DEONTOLOGIA (11/03/2013)


Discutimos nessa aula sobre o significado de ética e moral. A ética está associada ao estudo fundamentado dos valores morais que orientam o comportamento humano em sociedade, enquanto a moral são os costumes, regras, tabus e convenções estabelecidas por cada sociedade. Também discutimos sobre bioética, e concluiu-se que é o conjunto de problemas levantados pela responsabilidade moral em pesquisas científicas e na aplicação destas. Esses questionamentos foram necessários para introduzir o tema da aula: Deontologia.
Vimos que Deontologia é tratado do dever ou conjunto de deveres, princípios e normas adaptadas por um determinado grupo social. Tem a ver com o conjunto de deveres vinculados ao exercício de uma profissão que visa assegurar a qualidade do exercício desta profissão.
O atual Código de Deontologia de Enfermagem foi aprovado em 2000, e é organizado por Princípios, Direitos, Responsabilidades, Deveres e Proibições.
Alguns princípios são: beneficência, justiça, veracidade, confidencialidade, fidelidade, autonomia, não-maleficência.

Trabalhos feitos em uma dinâmica na sala de aula.
Compreendemos também sobre os tipos de culpa:
·         Imperícia: Fazer algum procedimento sem ser capacitado.
·         Imprudência: Ser capacitado e fazer um procedimento de maneira errada.
·         Negligência: Ser capacitado pra fazer o procedimento, mas se abstém de fazê-lo.
Trabalhamos através de leitura dinâmica boa parte do livro de bolso de Deontologia que foi distribuído na aula anterior.
Para concluir aprendemos sobre as Infrações e Penalidades a partir da realização de um trabalho dinâmico. Aprendemos também o grau das Infrações e suas consequências.

Para uma melhor fixação do Código de Ética, foi proposto uma atividade para ser apresentada na aula seguinte. A turma foi dividida através de sorteios em grupos , sendo : três pessoas faziam parte da defesa, três faziam parte do acusação, e o restante eram jurados. Tínhamos que nos guiar pelo Código de Ética para aplicar as leis baseados nos artigos e também as devidas penalidades em três casos que tiveram bastante repercussão na mídia citados abaixo:
CASO 1 (Novembro/2012): O menino Luiz Miguel da Silva, 4 anos, quase perdeu a perna e ainda corre risco de perder dois dedos do pé depois de ter recebido uma injeção de antibiótico para dor de garganta no mês passado na UPA ( Unidade de Pronto Atendimento) de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Segundo a família da criança, o medicamento foi aplicado de forma errada.
A mãe do garoto, conta que havia levado o filho pela segunda vez à UPA porque a criança tinha dor de garganta e os remédios receitados antes não tinham resolvido o problema. Os médicos decidiram, então, dar o antibiótico. "Ele tomou a injeção na
parte direita do bumbum. A partir disso, começou a passar mal, sentia dor na barriga e na perna e, depois de um tempo, quase não conseguia ficar em pé", relata.
"Chegaram a dizer que meu filho estava fazendo manha”, lembra a mãe, que já observava sinais estranhos, como a mudança de cor, na perna do garoto.
A criança ficou em observação na unidade e, depois, foi liberado. “Me disseram que não podiam fazer nada, e que era melhor eu procurar uma emergência. A essa altura a batata da perna do meu filho já estava quase roxa e um pouco gelada", conta a mãe, que decidiu levar o menino para o hospital Adão Pereira Nunes (Saracuruna), em Duque de Caxias.
Ao chegar no hospital, a mãe recebeu a informação que seu filho não tinha nada muito grave e que ela deveria aguardar o cirurgião vascular. “Chegaram a dizer que o caso do meu filho não era emergência, mas quando a cirurgiã vascular chegou, disse que teria que operá-lo assim que o viu, caso contrário ele poderia até perder a perna", afirma. A médica disse à mãe que o sangue não estava circulando em parte da perna da criança.
A mãe enfatiza que o caso de seu filho não foi de reação alérgica, ao contrário do que lhe foi dito, mas uma lesão vascular decorrente da aplicação incorreta do antibiótico na UPA. “Aqui no hospital de Saracuruna me disseram que lá na UPA atingiram uma artéria ou veia do meu filho", diz. O medicamento usado em Luiz Miguel só pode ser aplicado dentro do músculo.
O menino ficou 25 dias no Centro de Terapia Intensiva. "Durante a cirurgia que fizeram nele, foi retirada pele necrosada, que estava com mal cheiro, para que o sangue pudesse circular. Um milagre ele ter sobrevivido”, conclui a mãe.
Risco de amputação
A criança terá que passar por duas novas cirurgias. “Ele vai precisar de enxerto na batata da perna, na nádega direita e na coxa porque perdeu tecido muscular na operação", afirma a mãe. O outro procedimento será feito para verificar a mobilidade dos dedos - dois deles estariam necrosados. "Espero que não sejam amputados. Já escutei neste hospital que uma perna e dois dedinhos não são nada, mas como eu vou explicar isso para meu filho, que tem só 4 anos?"
CASO 2 (Outubro/2012): Palmerina Pires Ribeiro, 80, morreu em uma unidade de saúde de São João de Meriti, na Baixada Fluminense, após receber café com leite na veia, segundo familiares. De acordo com a família, uma estagiária do Posto de Atendimento Médico (PAM) da cidade aplicou o alimento na sonda que levava medicamento para a veia da paciente.
A estagiária Rejane Telles, 23, afirmou, em entrevista ao "Fantástico", da TV Globo, que "qualquer um se confunde". "Me passou pela cabeça chamar [a supervisora]. Sendo que a outra menina que estava do meu lado, falou que sabia e que ia me ensinar. Ela pegou, falou para mim e para outra estagiária que estava do meu lado para ir fazendo os procedimentos. Mas não deu explicação nem de que e nem como. Continuou sentada no posto de enfermagem, brincando no celular", disse Rejane, na entrevista.
CASO 3 (Outubro/2011): Enfermeira ministrou nitrato de prata concentrada a 50% nos olhos de um menino recém-nascido, no Hospital do Servidor Municipal, em São Paulo. O procedimento é rotina em recém-nascidos, para evitar infecção por sífilis gonocócica, mas a concentração correta de nitrato de prata é de apenas 1%. Nitrato de prata a 50% é receitado para queimar verrugas. Os técnicos em farmácia que forneceram o medicamento também estão sendo investigados.
Um médico do setor de obstetrícia constatou que havia algo de errado com o recém-nascido, que estava com os olhos muito escuros. Em seguida, ele foi transferido
para o Hospital São Paulo, onde passou por cirurgia. De acordo com a assessoria do hospital, o estado de saúde do bebê é bom e não há previsão de alta. A criança recebe curativos constantemente nos olhos, ele corre o risco de ficar cego.
“O erro principal é que a enfermeira não checou a aplicação do remédio. É uma regra básica da enfermagem isso: verificar qual o remédio, a via correta pela qual ele é ministrado, a quantidade correta. Ela fez o pedido de nitrato de prata, mas os técnicos de farmácia não indagaram qual a concentração do remédio. Os três cometeram erros grosseiros”.
A enfermeira confirmou que realizou todo o procedimento, mas tentou em seu depoimento argumentar que foi induzida a erro por uma médica e uma auxiliar de enfermagem. A médica, segundo ela, a impediu de retirar o excesso de nitrato de prata do olho da criança. E a auxiliar de enfermagem foi quem deixou o remédio do lado de fora da geladeira, obrigando assim a enfermeira a fazer a requisição do produto, de acordo com a enfermeira. Devido ao excesso, o nitrato de prata escorreu e provocou lesões no rosto, no braço e no tórax da criança.





RESOLUÇÕES COFEN (27/02/2013 - 04/03/2013 - 06/03/2013)


Resolução COFEN Nº 427/2012
Normatiza os procedimentos da enfermagem no emprego de contenção mecânica de pacientes.
Caso 1
Paciente com 29 anos de idade do sexo masculino chegou a unidade de saúde, demostrando ter ingerido bebidas alcóolicas, as quais o deixou agressivo e com movimentos perigosos para os demais do recinto. A enfermeira de plantão fez no mesmo uma contenção mecânica, e não fez o monitoramento do procedimento deixando o paciente contido por quase dez horas.
Diante do exposto do artigo 2º, diz que a contenção mecânica do paciente será empregada quando for o único meio disponível para prevenir danos imediato ou eminente ao paciente ou aos demais. No artigo 4º diz que todo paciente em contenção mecânica deve ser monitorado pela equipe de enfermagem.
No §1º diz que é para verificar os níveis de consciência, dados vitais e condições de pele e circulação nos locais e membros contidos a cada uma hora.


Caso 2
Resolução do COFEN nº 390/2011
Normaliza a execução pelo enfermeiro da punção arterial tanto para fins de gasometria como para monitorização de pressão arterial invasiva.
Paciente em coma do sexo feminino, de 72 anos de idade, foi submetida a um exame de gasometria para medir o ph e as pressões parciais de O2 e CO2 em seu sangue e o procedimento foi realizado por uma técnica de enfermagem de plantão e a acompanhante da paciente, sua filha relata que o procedimento causou edema no lugar da punção.
Segundo o artigo 11,inciso I, diz que que o enfermeiro deve exercer todas as atividades ,cabendo-lhe ,privativamente , a execução de cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas.
 

Caso 3
Resolução do COFEN nº429/2012
Dispõe sobre o registro das ações profissionais no prontuário do paciente, e em outros documentos próprios da enfermagem.
Paciente do sexo masculino, hospitalizado a 40 dias, vem a óbito por infecção pulmonar, e em seu prontuário percebe-se que não há nenhum registro de anormalidade que caracterize esse quadro clínico. Caracterizando falta de acompanhamento da equipe de enfermagem ao determinado paciente.
Considerando o prontuário do paciente e outros documentos próprios da enfermagem, independente do meio de suporte – tradicional (papel) ou eletrônico como uma fonte de informações clinicas e administrativas para a tomada de decisão,e um meio de comunicação compartilhado entre os profissionais da equipe de saúde.

Caso 4
Resolução do COFEN nº 422/2012
Normatiza a atuação dos profissionais de Enfermagem nos cuidados ortopédicos e procedimentos de imobilização ortopédica.
Uma criança de 2 anos de idade foi levada por sua mãe a uma UPA para retirar o gesso de seu braço que havia sido fraturado após uma queda da escada, chegando lá foi atendida por uma Técnica de Enfermagem que fez o procedimento de retirada do gesso e sem querer cortou o dedo da mão da mesma.
Considerando a deliberação do Plenário do Cofen em sua 412ª Reunião Ordinária e tudo o mais que consta nos autos dos PAD Cofen nº571/2010 e nº 314/2011;
Resolve:
Artigo 1º a assistência de enfermagem em Ortopedia e os procedimentos relativos à imobilização ortopédica poderão ser executadas por profissionais de enfermagem devidamente capacitados.

Caso 5
Resoluçao do COFEN nº381/2011
Normatiza a execução, pelo Enfermeiro, da coleta de material para colpocitologia oncótica pelo método de Papanicolau.
Paciente foi realizar exame preventivo em determinada clínica e foi atendido por uma Técnica de Enfermagem, onde a mesma se mostrou insensível causando uma lesão externa na colocação do espectro vaginal.
Considerando a coleta de material para colpocitologia oncótica pelo método de Papanicolau, como um procedimento complexo, que demanda competência técnica e científica em sua execução;
Sendo de atribuição do Enfermeiro exercer todas as atividades de Enfermagem, cabendo-lhe, privativamente, a execução de cuidados de enfermagem de maior complexidade.

Visita ao COREN
Este dia a aula foi em campo, visitamos o COREN-Conselho Regional de Enfermagem de Pernambuco. E conhecemos sobre suas atividades e funções. Tivemos uma pequena palestra no auditório. Presentes o Sr Luciano que é assessor político e faz parte da diretoria, e a Docente Márcia Linhares. Também a vice diretora falou um pouco sobre o que lhe compete.
Em seguida nossa turma juntamente com o Luciano visitamos o prédio anexo , e conversamos com os funcionários das respectivas funções. Ex: onde é confeccionada a carteira do Enfermeiro, de onde vem o selo que é Federal validando a mesma.; A sala onde fazem os registros de ocorrências para que o Coren vá e fiscalize o órgão em desacordo com a Legislação vigente e autue. 

LEGISLAÇÃO (25/02/2013)


Legislação é um conjunto de leis de determinada matéria, e para o enfermeiro é importante saber as leis que regem o seu exercício profissional. O exercício da Enfermagem só pode ser feito por profissionais enfermeiros, técnicos, auxiliares e parteiros que estejam inscrito no COREN da determinada região onde for praticar o exercício da Enfermagem.
                As resoluções são atos administrativos normativos internos. E em 2007 uma Resolução do COFEN aprovou uma reformulação no Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem e que o profissional da área deve conhecer o conteúdo deste, requerendo-o no local onde trabalha.
                Outra Resolução de 1999 foi sobre a padronização do juramento, pedra, cor e símbolos a serem usados na solenidade da formatura ou representativa da profissão.
Anel do Enfermeiro, com seus símbolos: A lâmpada e a cobra cruz. Já o anel do Técnico de Enfermagem e do Auxiliar é composto pela lâmpada e a seringa.



E o Juramento do Enfermeiro é este abaixo:
“SOLENEMENTE, NA PRESENÇA DE DEUS E DESTA ASSEMBLÉIA, JURO:
DEDICAR MINHA VIDA PROFISSIONAL A SERVIÇO DA HUMANIDADE, RESPEITANDO A DIGNIDADE E OS DIREITOS DA PESSOA HUMANA, EXERCENDO A ENFERMAGEM COM CONSCIÊNCIA E FIDELIDADE; GUARDAR OS SEGREDOS QUE ME FOREM CONFIADOS; RESPEITAR O SER HUMANO DESDE A CONCEPÇÃO ATÉ DEPOIS DA MORTE; NÃO PRATICAR ATOS QUE COLOQUEM EM RISCO A INTEGRIDADE FÍSICA OU PSÍQUICA DO SER HUMANO; ATUAR JUNTO À EQUIPE DE SAÚDE PARA O ALCANCE DA MELHORIA DO NÍVEL DE VIDA DA POPULAÇÃO; MANTER ELEVADOS OS IDEAIS DE MINHA PROFISSÃO, OBEDECENDO OS PRECEITOS DA ÉTICA, DA LEGALIDADE E DA MORAL, HONRANDO SEU PRESTÍGIO E SUAS TRADIÇÕES".

O COFEN e o COREN são os órgãos disciplinadores do exercício da profissão de enfermeiro e das demais profissões que abranjam a prática da Enfermagem. Compete ao Conselho Federal aprovar o regimento interno e o dos Regionais, elaboração e alteração no Código de Deontologia de Enfermagem, promover campanhas e estudos para o aperfeiçoamento profissional, convocar e realizar eleições para sua diretoria, entre outras funções.
Ao Conselho Regional compete fazer as inscrições do Conselho e cancelamentos, disciplinar e fiscalizar o exercício profissional, fazer executar as instruções e provimentos do COFEN, registro dos profissionais, expedir a carteira profissional, zelar pelo bom conceito da profissão, fixar o valor da anuidade, entre outras competências.
Aos infratores do Código de Deontologia de Enfermagem:
·         Advertência verbal: Em que de forma reservada adverte o infrator, anotando no prontuário do mesmo na presença de duas testemunhas.
·         Multa: Pagamento obrigatório de 1 ou até 10 vezes o valor da anuidade da categoria a qual pertence o infrator.
·         Censura: Repreensão e divulgação nas publicações oficiais do COREN e do COFEN e em jornais de grande circulação.
·         Suspensão: Proibição do exercício da Enfermagem por período não superior a 29 dias tendo divulgação nas publicações oficiais do COREN e do COFEN, em jornais de grande circulação, e comunicada aos órgãos empregadores.
·         Cassação: Perda do direito ao Exercício da Enfermagem sendo divulgação nas publicações oficiais do COREN e do COFEN e em jornais de grande circulação.
São Enfermeiros no Brasil os titulares dos diplomas conferidos por instituição de ensino nos termos da lei, ou titular de diploma ou certificado de obstetriz ou enfermeira obstétrica nos termos da lei, ou qualquer Enfermeiro, ou obstetriz e enfermeira obstétrica formada em alguma escola do exterior com o diploma revalidado no país. Técnico e auxiliar são os mesmos requisitos. As parteiras são profissionais da Enfermagem com especialização em enfermagem obstétrica.
Ao enfermeiro incumbe privativamente à direção do órgão de Enfermagem, planejamento, organização, coordenação, execução e avaliação dos serviços de assistência de enfermagem, prestação de assistência à gestante e recém-nascido, participação nos programas e atividades de educação sanitária, programas de higiene e segurança do trabalho, entre muitas outras funções.
         Ao técnico de Enfermagem cabe assistir o enfermeiro, executar as atividades de assistência de enfermagem, excetuadas as privativas do Enfermeiro, integrar a equipe de saúde, entre outras funções. Ao auxiliar de Enfermagem cabe-lhe preparar o paciente para consultas, exames e tratamentos; observar, reconhecer e descrever sinais e sintomas, ao nível de sua qualificação; executar tratamentos especificamente prescritos, ou de rotina, além de outras atividades de enfermagem como prestar cuidados de higiene, integrar a equipe de saúde, participar de atividade de educação em saúde, participar do procedimento pós-morte, entre outras incumbências.




ERA VARGAS (18/02/2013)


Após a chefia de Vargas houve várias mudanças políticas e administrativas na tentativa de centralizar o poder do Estado e diminuir o controle das oligarquias. A partir daí intelectuais e militares pressionam o governo para a criação de novos serviços na área de Saúde Pública, e em 1931 foi criado o Ministério da Educação e da Saúde Pública. Os médicos passaram a ser excluídos das decisões sanitárias, passando a decidir sobre esse assunto políticos e burocratas sem nenhum conhecimento científico para tamanha responsabilidade. Qualquer crítica contra essa postura era considerada artimanhas comunistas. Vargas adotou parcialmente a Lei Elói Chaves, ponto de partida da previdência social, essa lei fazia garantir assistência médica a uma vasta parcela da população urbana, sem gastar recursos financeiros federais. A assistência médica anterior era falha, apresentava serviços irregulares e dava pouca cobertura aos doentes mais graves; fora que empregados sem carteira de trabalho só poderiam ser atendidos em hospitais filantrópicos. Vargas foi considerado “Pai dos Pobres” por que possibilitou a assistência médica à muitos desamparados. Na Constituição de 1934 foi um marco nessa trajetória, pois dava direito a assistência médica, licença remunerada a gestante trabalhadora, jornada de trabalho de 8h e outros direitos consolidados nas leis trabalhistas de 1943, sendo que em 1937 foi criado o Conselho Nacional de Saúde.
                Com o Estado Novo a saúde pública foi dividida em dois ramos: a saúde pública preventiva (epidemiológica), conduzida por campanhas; e a assistência médica de caráter curativo (clínica), conduzida pela previdência social . Logo em seguida tentaram difundir as campanhas sobre higiene através de panfletos, porém percebeu que pouco estava atingindo a população pobre, pois as taxas de analfabetismo eram exorbitantes. A partir daí a solução foi usar os meios de comunicação para difundir as campanhas. A partir daí surgiu a formação de enfermeiras sanitárias, voltadas justamente com o propósito de visitar os bairros e apresentar a população regras de higiene.
                Em 1941 ocorreu a I Conferencia Nacional de Saúde no Rio de Janeiro Em 1942 houve a Criação do Serviço Especial de Saúde Pública, que organizou campanhas, principalmente no norte e nordeste, sobre educação sanitária e assistência médica à pessoas carentes para evitar a disseminação de febre amarela, malária, esquistossomose e mal de Chagas. E em 1945 Vargas foi deposto. Em 1948 foi criado o primeiro Conselho de Saúde, e a saúde da população foi reconhecida como função administrativa do governo. Em 1953 Getúlio assume novamente a presidência e cria o Ministério da Saúde e institui o PEM, Projeto de Erradicação da Malária.
                Com o fim da II Guerra Mundial a influencia americana na área da saúde aumentou, havendo a construções de grandes hospitais, rede de postos de saúde, consultórios e ambulatórios. As Conferencias Nacionais de Saúde, instituídas em 1937 pelo governo Getúlio Vargas continuaram acontecendo, inicialmente no Rio de Janeiro, e depois em Brasília. Em 1986 ocorreu a I Conferencia Nacional de Recursos Humanos para a Saúde.
O progresso da filosofia e da ciência começou a mudar a visão do homem, que passou a abandonar as explicações sobrenaturais para os fatos, e a prática da saúde irá se basear na experiência, observação, raciocínio e conhecimento da natureza, período conhecido como hipocrático, onde a observação cuidadosa do doente era a base do diagnostico e da terapêutica.
No fim da idade média e inicio da moderna a atenção médica dirige-se para o corpo e a enfermagem fica responsável por levar a disciplina ao ambiente hospitalar, inspirado na organização militar. Com o inicio da Revolução Industrial. 

UM NOVO PRÉDIO PARA UMA NOVA ESCOLA (06/02/2013)


          A primeira escola de enfermagem Alfredo Pinto, permaneceu sem sede própria durante 75 anos e ocupava vários espaços que lhe eram oferecidos: desde o Hospital Nacional de Alienados, o ambulatório Gustavo Riedel, no Engenho de Dentro, a Casa de Juliano Moreira, na avenida Pasteur, hoje Reitoria da Universidade do Rio de Janeiro- UNIRIO e áreas adjacentes.
Em 1961 aos 16 de março, a professora cujo nome era Clélea de Pontes ,  cheia de determinação, espírito de luta, dedicação  assumiu a direção da escola e começou a integrar a filosofia universitária da época. Neste mesmo ano foi sancionada a lei 4.024, que dispõe sobre as Diretrizes e Bases da Educação. Cléleia de Pontes tinha uma preocupação constante em situar o curso em alto nível como podemos comprovar. Em 1962 começou a haver exigência da conclusão do curso secundário aqueles candidatos que optavam para realizar Concurso de Habilitação ao Curso de Enfermagem.
          No ano de 1963, aos 7 de fevereiro o Parecer 245, do Conselho Federal de Educação, aprova o Regulamento da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto, adaptado a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Com estas conquistas conseguidas pela nova diretora, aquelas velhas rixas e detratores começaram a mobilizar forças para fechar a escola, baseados no Decreto Lei 4.725/42. Nesta mesma década foi instituído o Sistema Nacional de Saúde, em 1964 e seguia o modelo autoritário-burocrático, implantado em todo país pelo regime militar, sem a participação dos profissionais do setor, da sociedade em geral e era de caráter privatizante. No mesmo tempo que começou a ensejar o assalariamento em massa dos profissionais de saúde, agravou os problemas do setor. Quanto a educação também houve várias mudanças , desde o ensino de 1º e 2º grau, até a Reforma Universitária, e ainda na política e economia da nação. "Este contexto impulsionou a formulação de políticas de saúde voltadas, crescentemente, para privilegiar a medicina curativa, hospitalar e privada. Ocorrem movimentos para reestruturar a previdência social no sentido de fundir os IAPs com o Serviço de Assistência Médica de Urgência- SAMDU, em um único instituto".
          Essa unificação visava constituir um sistema único de direitos, de custeio e de prestação de serviços e benefícios. Mas, devido a situação financeira dos institutos não foi viável esta unificação ficando o sistema anterior. Cabe salientar que parte do movimento sindical era contra esta unificação dos institutos, por entender que esta medida ia baixar a qualidade dos serviços e tornar a Previdência Social uma instituição muito grande. Esta unificação só foi concretizada em 1966, quando todos os institutos dos trabalhadores foram reunidos, formando, então, o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Neste período de tantas mudanças e conquistas a professora Cléleia de Pontes conseguiu transferir a escola do velho casarão para um prédio com arquitetura moderna. Em 25 de Abril de 1966, foi inaugurado o atual prédio da Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP) com a presença do então presidente Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, conforme consta uma placa afixada na entrada principal do prédio, situado à rua Dr.Xavier Sigaud, nº 290, na Praia Vermelha. Alguns órgãos governamentais deram sua contribuição para aquisição deste prédio, na época o Ministro da Saúde o Dr.Raimundo de Brito e Diretor do Departamento Nacional de Saúde o professor Achilles Scorzelli Junior que também estavam presentes à inauguração do prédio. Esta conquista do prédio deu grande impulso, e começou a atrair maior numero de jovens para o curso de Enfermagem.
         Em 1967, pelo Decreto-Lei de 27 de fevereiro a Escola de Enfermagem Alfredo Pinto deixa de pertencer ao Serviço Nacional de Doenças Mentais, ficando ligada, diretamente ao Ministério da Saúde.
Este decreto nos mostra mais uma conquista da professora Cléleia de Pontes que, junto aos órgãos governamentais, empenhou-se e conseguiu a promulgação do mesmo, regularizando definitivamente a escola. Nesta mesma década ocorreu a Reforma Universitária, precisamente pela Lei 5.540, de 28 de novembro de 1969, que reafirmou os princípios adotados na legislação anterior e a estrutura já implantada. Quanto a organização a lei exige que o ensino superior passe a ser ministrado em universidades, e só em estabelecimentos isolados. Já quanto a administração, além do reitor, que responde pelo executivo na universidade, a administração passa a ser exercida por um órgão central de Coordenação do Ensino e da Pesquisa e por um Conselho de Curadores quando é autarquia, composto de membros da universidade, representantes do Ministério de Educação e Cultura e membros da comunidade.
Em todos os órgãos da direção superior das unidades e da universidade, haverá sempre representação legal de todas as categorias docentes e discentes. A universidade deve promover cursos de Graduação, Pós-Graduação, Extensão, Aperfeiçoamento e Especialização, além dessa estrutura a legislação tratou, ainda, da unificação do vestibular, por universidade e por região. Em 20 de agosto de 1969, a Escola de Enfermagem Alfredo Pinto passa a ser uma das unidades integradas da Federação de Escolas Federais Isoladas do Estado da Guanabara(FEFIEG), depois Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro(FEFIERJ) tendo a finalidade de reunir e integrar estabelecimentos isolados, do Sistema Federal de Ensino Superior, sob a forma jurídica de fundação.
          A professora Cléleia de Pontes criou e implantou o currículo experimental do curso de Auxiliar de Enfermagem da EEAP, autorizado pelo Decreto 64.519, de 15 de maio de 1969. Ela veio a falecer em 22 de dezembro de 1969, vítima de um acidente automobilístico, assumindo a direção da escola a professora Anna Grijó. Ela dirigiu a escola apenas por dois anos, mais manteve os padrões de ensino em função do desenvolvimento norteados anteriormente.

SAÚDE NA REPUBLICA VELHA (04/02/2013)


                A Enfermagem no período colonial brasileiro surge vinculada ao altruísmo religioso, onde a atenção é voltada aos pobres e enfermos, ligada à missão cristã de servir, numa aparente garantia de salvação. Em 1889 com a Proclamação da República, houve a laicização do Estado, e a partir daí houve o início da institucionalização da Enfermagem no Brasil, sendo implementado o modelo Nightingaleano que destitui o caráter religioso, mas mantém-se  os valores religiosos.
                Comentamos de duas personagens que foram importantes no panorama da Enfermagem brasileira, Francisca de Sande que foi a primeira voluntária de Enfermagem do país, que dedicou sua viuvez ao cuidado dos enfermos pobres na Bahia; a outra  é a conhecida Anna Nery, considerada a pioneira da Enfermagem no Brasil, que acompanhou seus filhos e irmãos na guerra do Paraguai (1864-1870), e incorporada ao batalhão como enfermeira dedicou-se em serviços ininterruptos nos hospitais militares.
                A partir daí houve o desenvolvimento da educação em Enfermagem marcada por influências internacionais e político-econômicas. E em 1880 houve a criação da Escola de Enfermagem no Hospital de Alienados no Rio de Janeiro, com o objetivo de formar profissionais habilitados no atendimento de doente psiquiátrico. Em 1888 houve a abolição da Escravatura, e a formação de aglomerados urbanos que fez com que as condições sanitárias e higiênicas ficassem precárias, havendo surtos de doenças.
                Quando as epidemias começaram a afastar os países que tinham relações comerciais com o Brasil, sentiu-se a necessidade de sanear os portos e o espaço urbano, e a partir daí foi criado o Conselho Nacional de Saúde Pública (1890) e também a Inspetoria Geral de Higiene, e em 1892 houve a criação dos laboratórios de Saúde Pública voltados para a criação de vacinas, em 1897 foi criado a Diretória Geral de Saúde Pública que priorizou o controle dos portos, pois através deles epidemias se alastravam pelas cidades.
                Nessa época o Brasil precisou pedir empréstimos ao exterior, e o problema da saúde passou a ser uma questão econômico social, pois além de afetar a população urbana aglomerada, ainda prejudicava a expansão comercial brasileira, o que fez com que o governo tomasse medidas mais severas e eficazes em relação aos portos, como estabelecer quarentena.
                Quando assume a presidência em 1902, Rodrigues Alves pega uma economia mais estabilizada devido o ciclo da borracha, e ele buscava erradicar a febre amarela, pois era bastante interessado na ciência e saúde pública e nomeia Oswaldo Cruz como Diretor Geral do Departamento Nacional de Saúde Pública.
                Oswaldo Cruz percebeu que somente de forma metódica obteria êxito no combate às doenças, e introduz a militarização nas campanhas de saúde. Esse autoritarismo na saúde pública foi o que acabou gerando a Revolta da Vacina. Ele criou as brigadas de matas para aniquilar os mosquitos transmissores da febre amarela; tentou desratizar as cidades através de recompensas, porém houve corrupção por parte da população, que começou a "importar ratos" para ganhar dinheiro, apesar disso o número de casos de peste bubônica chegou a quase zero em 1903.
                Em meio à política anti-industrial de Campos Sales (presidente anterior) houve o fechamento de fábricas o número de desemprego aumentou bastante; faltava democracia, devido a política dos governadores; houve um surto de modernização que colocou abaixo os cortiços; e em meio à essa realidade foi imposta com violência uma campanha antivariólica e sem esclarecimentos a população. E foi nesse contexto que ocorreu a Revolta da Vacina, esta introduzida no Brasil em 1811, obrigatória por decreto. Como nem sempre a lei era cumprida, tentaram fazer o cumprimento dela através da força. Após a Revolta da Vacina a vacinação não foi mais obrigatória. Em 1908 teve um novo surto, porém Oswaldo Cruz afasta-se da política sanitária para se dedicar a pesquisas.
                Em 1908 a Cruz Vermelha Brasileira foi instalada no Brasil, seu primeiro presidente foi Oswaldo Cruz, e teve grande atuação na Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A partir dessa necessidade de ter socorristas em 1914 foi criado cursos para voluntários de curta duração para agirem com supervisão médica. Porém em 1916 foi criada a Escola Prática de Enfermagem da Cruz Vermelha voltada para a formação de socorrista voluntário para situações de emergência, curso de duração de 2 anos.
                Em 1918 houve a pandemia de gripe espanhola, que fez com que todos se preocupassem com o saneamento. As campanhas de vacinação estavam sendo insuficientes para o numero de doenças que atingiam uma massa grande. Surge a Liga pró-saneamento que sugeriu a criação de um ministério de higiene e saúde pública.
                Em 1920 foi criado o Departamento Nacional de Saúde Pública, chefiado por Carlos Chagas (descobridor do agente causador da doença de chagas), que voltava ações para o controle de doenças transmissíveis como febre amarela, malária e parasitoses. Carlos Chagas promoveu a formação de enfermeiros para inicialmente atender os hospitais civis e militares, e depois às atividades de saúde pública. Adotou o modelo norte-americano de assistência a saúde, onde enfermeiras visitavam os moradores de um determinado distrito de saúde. Trouxe enfermeiras norte-americanas, custeadas pelo Instituto Rockefeller, para analisar a situação brasileira, e a partir daí surgiu a necessidade de criação de um grupo de enfermeiras do DNSP e de uma Escola de Enfermagem relacionada.
                Em 1922 o modelo de Nightingale chega ao Brasil com as enfermeiras norte-americanas, e tinha alguns requisitos para ser estudante de Enfermagem: ter certo grau de cultura, ser jovem e sã. Na Escola de Enfermagem da DNSP a formação era orientada para disciplinas de cunho preventivo na comunidade e as estudantes eram obrigadas a 8h de trabalho diárias no hospital. Essa proposta de foi importante, pois desenvolveu um modelo de ensino mais sistematizado e focado na redução da mortalidade.
                Um ano depois, em 1923, foi fundada a Escola de Enfermagem Anna Nery, no Rio de Janeiro. Essa Instituição foi organizada por enfermeiras norte-americanas trazidas com o apoio da Fundação Rockefeller. Esta escola de Enfermagem tornou-se a padrão, e as enfermeiras formadas nela tornavam-se professoras ou chefiavam os serviços. Em 1930 houve a Revolução de 30, e Getúlio Vargas assume a liderança do “Governo Provisório”.

ENFERMAGEM PRÉ PROFISSIONAL (30/01/2013)


Debatemos a importância de trabalhar na área que realmente desejamos, pois se não gostarmos do nosso trabalho não teremos motivação, e sem isso seremos péssimos profissionais.
                A partir daí começamos a recapitular a história da Enfermagem. Após Florence voltar da guerra, ela ganhou um dinheiro que pode investir na abertura de uma escola de Enfermagem fundada no Hospital St. Thomas em julho de 1860, na qual a diretoria estava nas mãos de um profissional de Enfermagem, e não um médico. Fazia uma seleção dos candidatos ao curso, para determinar a verdadeira aptidão e condições físicas e psicológicas pra a função. A partir daí se iniciava um ensino metódico que preparava o profissional para o serviço hospitalar e visitas domiciliares aos necessitados.
                No Brasil a profissionalização da enfermagem está vinculada a Fundação da Escola de Enfermeiros e Enfermeiras no Hospital dos Alienados em 1890, no Rio de Janeiro (Atual Escola de Enfermagem Alfredo Pinto da UNIRIO). Também instituições privadas associadas ao governo criaram escolas e cursos abertos no estado de São Paulo, em 1894 no Hospital Samaritano; em 1912 no Hospital da Cruz Vermelha. Em 1923 abre a Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de Saúde Pública, que em 1926 passa a ser chamada de Escola de Enfermeiras D. Ana Néri, e que atualmente é a Escola de Enfermagem Anna Nery pertencente a UFRJ.
                Nesta época houve um embate na alocação do ensino da Enfermagem, onde o método inglês buscava alocar o ensino nos hospitais (método utilizado no Hospital Samaritano - SP), e em contraponto o método americano alocava o ensino nas universidades (apoiado pelas escolas do Rio de Janeiro) que foi uma versão americana ao modelo de Florence Nightingale.
                Em Pernambuco a Primeira Escola Profissional de Enfermagem foi criada em 1945 ligada ao Hospital Dom Pedro II, cuja mantedora é a Santa Casa de Misericórdia do Recife.
Aos poucos a enfermagem pré-profissional, baseada na caridade, passou a ser transformada em uma representação autônoma e científica, fundada em métodos e em teorias, que passaram a orientar o modo de cuidar. E com a profissionalização da Enfermagem, devido a importância geral, abriu-se uma grande área de atuação para o enfermeiro.